A queda dos cabelos no pós parto | Por: Gabrielle Adames

A gravidez representa um período de intensas modificações para a mulher. Praticamente todos os sistemas do organismo são afetados, entre eles a pele. A maioria das mudanças no corpo feminino decorre de alterações hormonais e/ou mecânicas. As primeiras caracterizam-se por grandes elevações de estrogênio, progesterona, beta HCG, prolactina e uma variedade de hormônios e mediadores que alteram completamente as funções do organismo.

Queixa comum nos consultórios dermatológicos, feitas por mulheres que passaram pela gestação, versam sobre a intensa queda dos cabelos após o parto. A preocupação é grande uma vez que percebem muita queda de cabelos e diminuição sensível do volume a qual estão acostumadas.

 

Como se chama?

O eflúvio telógeno é nome que se dá para essa queda gerando uma perda difusa de cabelos e pêlos do corpo que acontece quando os folículos anágenos (fase de crescimento) passam prematuramente para telógenos (fase de descanso) devido a fatores fisiológicos ou situações de estresse.

Mas porque isso ocorre?

No período de gestação, o maior volume de estrogênio no organismo impede a queda dos fios e o resultado é um cabelo mais volumoso e brilhante (menos cabelos telógenos). Nas semanas que se seguem ao nascimento, os níveis de estrogênio voltam lentamente ao normal e, em resultado dessa diminuição, todo o cabelo que não entrou em telogênese durante os nove meses de gravidez vai começar a cair. Isto significa que os 100 a 150 fios que habitualmente perdem todos os dias sobem para cerca de 500, num fenômeno que pode ser altamente perturbador.

O eflúvio telógeno no pós parto é absolutamente normal e fisiológico e acompanha 50% das mulheres nessa fase.  Geralmente, inicia-se com 3 meses do pós-parto podendo prolongar-se por vários meses. Ocorre devido à rápida conversão dos pêlos anágenos em telógenos, secundária ao desbalanço hormonal e ao estresse do parto.

Há tratamento?

Na maioria das pacientes há recuperação completa em aproximadamente 1 ano. Esse evento é autolimitado e não necessita tratamento. Uma alimentação rica de nutrientes é necessária, associada ou não a polivitamínicos específicos para essa fase.

O Eflúvio pode ser controlado e amenizado através do uso de formulações terapêuticas e complexos vitamínicos. Estas prescrições contam com ativos que além de diminuir a queda podem nutrir e restaurar o fio de cabelo, com manutenção do brilho e volume. Esses suplementos podem ser tópicos (de aplicação no couro cabeludo) ou sistêmicos (tomados por via oral). Alguns medicamentos podem ser utilizados nessa fase caso a mãe esteja amamentando. Outros DEVEM ser evitados. Contamos ainda com recursos modernos de MMP (microinfusão de medicamentos na pele) e de LED, o que nos permite aumentar a penetração dos ativos das formulações e obter uma melhor eficácia.

Sempre procure um dermatologista, pois existem outras causas de queda que deverão ser investigadas nesses casos.

Então fique tranquila! E qualquer dúvida, visite seu médico 🙂

 

Gabrielle Adames | Médica Dermatologista

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