De onde vem a energia das mães? | Por: Débora Laks, psicóloga

Ana estava dentro de um avião, sozinha e rumava a NY. Lá chegando, iria passear com sua irmã, que morava na cidade há anos, a qual nunca tinha podido visitar. Sentaria calmamente em restaurantes, brindaria e conversaria sem interrupções! Poderia ir a museus e sentiria a liberdade por alguns dias. Só uma noite de viagem e voila!
Dia seguinte, Ana foi acordada por João, seu filho mais velho. Ele teve um pesadelo e interrompeu o sonho de Ana. Às vezes, o pesadelo de um, interrompe o sonho de outro. Curioso como isto pode ocorrer com frequência na maternidade, não?

Está chegando o momento das férias escolares e, certamente, as mães de plantão já fizeram seus planejamentos com os “pitocos”. No entanto, nesta coluna venho lembrar que MÃES também precisam de descanso.

O ”MÃES” está em maiúsculo, propositalmente, para acentuar o caráter primordial destas mulheres, que costumam não ter sossego. Não necessariamente em fazer tarefas, mas principalmente na conjectura mental da vida dos filhos, da vida em família.

Gerar filhos saudáveis não é apenas uma tarefa extenuante corporalmente: carregar bebês e crianças no colo exige esforço. Porém, criar diariamente um ritmo conjunto com os pequenos é uma incumbência que exige uma sintonia fina. Esforço mental constante!

Certamente, você se pega pensando no seu dia-a-dia, em fazer suas tarefas mais rápido, para dar uma atenção especial ao pequeno que está mais inseguro em certo momento. Ou abdica de ir a um encontro com amigas, pois passou muito tempo fora, em função do trabalho.

Certo dia, uma prima próxima – mãe de três filhos pequenos – disse- me que seu maior desejo, naquele momento, era se hospedar por um dia em um hotel cinco estrelas SO-ZI-NHA. Queria ficar aquele tempo sem ninguém lhe pedir nada e cuidando apenas de si. Na época, fiquei meio preocupada. Estaria insatisfeita com a vida em família?

O paradoxo principal da maternidade, a meu ver, é que há de se doar muito, no entanto, não esquecendo do universo próprio que uma mãe deve continuar a semear. Paradoxal, pois os filhos costumam ocupar grande parte da vida de uma mãe. Entretanto, para crianças e adolescentes perceberem o outro é necessário que a mãe tenha seus recolhimentos, seu mundo particular. Logo, viva a diária no hotel cinco estrelas!

Pois bem! Dezembro chegou e o cansaço costuma ser um denominador comum! A mãe cuida de todos. Quem cuida da mãe?

Só cuidamos bem, se nos cuidamos bem! Redundante, eu sei, mas de redundâncias e obviedades a vida é feita.

Como você se reabastece?  Fica o chamado para a reflexão! Boas festas!

Débora Laks é psicóloga graduada pela PUCRS (CRP 07/15330) com experiência em atendimento de adultos, pais-bebês e infantil. Estuda a psicanálise e o psiquismo humano. Especializada em Psicoterapia de Orientação Psicanalítica de Adultos pelo CELG/UFRGS e Psicoterapia da Infância e Adolescência pelo CEAPIA. 

Leia outras colunas da Débora no site:
#
Conexões e desconexões: os desafios da parentalidade hoje em dia
# Se uma mãe é super-heroína, não precisa de um super-pai ao lado?
Carta a uma família recém nascida
Pensando em engravidar? O que levar em conta ao tomar esta decisão
A gestação não é só física: vamos falar sobre os aspectos psicológicos da gravidez

Share

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *