Autismo: equilíbrio e organização | Por: Cintia Del Pino, arquiteta

Que tal abordarmos a arquitetura relacionada aos ambientes projetados para crianças com autismo? Cada criança autista possui um grau distinto, sendo algumas mais sensíveis a sons ou luzes, enquanto outras, a sensações táteis.
Em função dessa hipersensibilidade é fundamental o equilíbrio na decoração do dormitório, buscando tornar esse ambiente um lugar calmo, evitando o estresse. Indica-se o uso de cores claras, tons neutros, nada de cores vibrantes que podem causar euforia. Uma boa sugestão é o azul, pois essa cor é considerada tranquilizante.
Na iluminação é preciso equilibrar cores quentes e frias, sempre buscando tornar o ambiente agradável. Cuidar da acústica também é outro item que merece muita atenção, pois os estímulos sonoros podem causar perturbação aos autistas.
Escolha o ambiente mais afastado da rua e dos barulhos da casa. Se possível, invista em itens que gerem conforto acústico como proteção antirruído para a janela ou cortinas pesadas para minimizar o barulho externo. Especial cuidado deve ser destinado aos equipamentos de ar condicionado e ventiladores, pois o ruído deles pode ser bem incômodo. Lubrificar as dobradiças com frequência é outra dica que também pode evitar transtornos.
Além do equilíbrio na decoração dos dormitórios, outro item a ser destacado é a organização. Ambientes onde os objetos têm lugar previamente determinado tendem a causar sensações mais harmoniosas. Uma boa sugestão é o uso de caixas para armazenar os brinquedos e objetos e sempre que possível, verificar se está tudo em ordem. Outra dica bem importante é descartar aquilo que não está sendo usado evitando acúmulos e liberando espaço para atividades.
Dentre os itens citados acima vamos dar ênfase a segurança no dormitório. O mobiliário deve ser livre de pontas e cantos agudos, bem como de puxadores e os móveis grandes devem estar presos à parede. De preferência use cadeiras e sofás sem armação. Não esqueça de cobrir todas as tomadas elétricas e remover os cordões das cortinas. Tudo deve ficar a mão para que a criança não sinta a necessidade de escalar os móveis para buscar algum objeto de interesse.
Antes de colocar essas dicas citadas acima em prática observe seu filho e descubra suas preferências e necessidades sensoriais e lembre-se… quanto mais simplificado o ambiente sensorial de uma criança mais fácil será para ela focar em interações sociais e no aprendizado de novas habilidades.

Cintia Del Pino é formada em Arquitetura pela Uniritter.
Trabalha em diversas áreas da Arquitetura desenvolvendo projetos arquitetônicos.
Despertou para o universo dos projetos para dormitórios infanto-juvenis
após o nascimento de sua filha Clarissa em 2007. 

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